Grabato Dias
AMOR. TE. TI, TIGO, A MORTE. AMO-TE
Amor. Te. Ti, tigo. A morte. Amo-te
sem R, sem risco ao meio da morte.
Quero-te assim, querente, quente e forte
ode que a circunstância obriga a mote.
Quatorze versos no papel e dou-te
exangue e medido ramo. O corte
já deixou de sangrar. Pinhos do norte!
Que ricas tábuas de caixão, pra bote!
No mundo em pedaços repartida
ficou-me a mim e ao luis vaz a vida,
galinha gorda rebolante ao espeto.
Me, mi, Mimi, migo... Ó amiga, as migas
ainda são um bom prato, e até com ligas
de duquesa se faz tanto soneto.
[326]
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quinta-feira, julho 22, 2010
quarta-feira, outubro 19, 2005
domingo, setembro 04, 2005
Grabato Dias
LAURENTINA DESAGRAVADA
Termos fígado é termos moral
sermos importantes é bem bom
evitemos as rimas em al
cala-se a voz turbada,
já de si mesmo etc. … bom!
estavam os suicidas todos à janela
a gabarem uma vista significativa
que vinha à cabeça da comitiva
que vinha na cauda da comitiva
e o ainda mexerem era a única coisa bela
e o ainda mexerem era a única coisa viva
para bem dela.
O marido a fingir que não vê
boa perna e papeira flá
cida do souflé do souflé
e do amor dum pequinois.
e enganemo-nos a achar glorioso
o passado desfuturado
vamos arranjem um papão a falar grosso
já temos um menino medroso
e um cueiro branco mijado
[175]
LAURENTINA DESAGRAVADA
Termos fígado é termos moral
sermos importantes é bem bom
evitemos as rimas em al
cala-se a voz turbada,
já de si mesmo etc. … bom!
estavam os suicidas todos à janela
a gabarem uma vista significativa
que vinha à cabeça da comitiva
que vinha na cauda da comitiva
e o ainda mexerem era a única coisa bela
e o ainda mexerem era a única coisa viva
para bem dela.
O marido a fingir que não vê
boa perna e papeira flá
cida do souflé do souflé
e do amor dum pequinois.
e enganemo-nos a achar glorioso
o passado desfuturado
vamos arranjem um papão a falar grosso
já temos um menino medroso
e um cueiro branco mijado
[175]
sábado, maio 14, 2005
terça-feira, setembro 28, 2004
Grabato Dias
LAURENTINA XIPAMANENSIS
RONGA MAXILAR
Acontecem coisas indizíveis cada minuto.
Onde estava deus que não veio ver
o momento em que pariste o amanhecer
num riso enxuto?
E onde estava o dianho e onde estava S. João
O que é que a virgem estava a mirar?
Onde tinha o profeta a atenção
que não saiu antes a anunciar?
Raios parta a corte deste céu vão
anjos e tudo
Assim perderam a ocasião
de eternizar a emoção
do teu rir súbito e enxuto.
[102]
LAURENTINA XIPAMANENSIS
RONGA MAXILAR
Acontecem coisas indizíveis cada minuto.
Onde estava deus que não veio ver
o momento em que pariste o amanhecer
num riso enxuto?
E onde estava o dianho e onde estava S. João
O que é que a virgem estava a mirar?
Onde tinha o profeta a atenção
que não saiu antes a anunciar?
Raios parta a corte deste céu vão
anjos e tudo
Assim perderam a ocasião
de eternizar a emoção
do teu rir súbito e enxuto.
[102]
sábado, setembro 18, 2004
Grabato Dias
BAIXA LAURENTINA
Desde a esquina do djambu
‘té à do continental
trato os passeios por tu
e um parquímetro mais cómodo
é meu guru pessoal
Encostado e repimpão
olho a ladeira plana
subindo a partir do chão
de cada ponto opção
dos extremos da semana
Conto os passos de quem passa
passeando as dores passivas
passa uma velha uva passa
uma manga femeaça
um ceguinho sem mordaça
um vendedor de caraças
e olhodoins de ameaça
miram rebanhos de chivas.
Mil uvas de várias cores
vão irmãs do mesmo cacho.
Do branco ao tinto é um ror
de perfumes. Preto é cor
negro é raça dum diacho!
Avé, vida da ré pública!
cruza ao gosto do gatilho
numa cruz que não explica
onde é que a cruz simplifica
a trajectória do milho
tudo vai melhor amigo
com coca cola e quejandos
espetam a palha no umbigo
e iniciem o mim migo
ciclo de dor e castigo
pescadinha ao gosto antigo
memimigo memimigo
entoladinhos e bambos
vou aos saldos do jònór
comprar mais antipatia
e uma quinhebta de dor
no muro sotomaior
a ajudar a rebeldia
faço mira pela estrela
dum super branco mercedes
e enquadro a ramela
do cego de sentinela
a uma vitrine de sedas
que capulana bonita
traz a mitó amaral
veio, juro, da botica
mais chicqueira, mais bonita
mais xi... cara patrão! (chita
de pele humana e mortal)
raios pátriam esta tonta
partida dos deuses. Haja
um fim para esta ronda
de paisanos songa monga
com apetites de gaja
... do continental ao djambu
- meu privado festival –
trato os passeios por tu
e um parquímetro guru
é minha espinha dorsal...
[101]
BAIXA LAURENTINA
Desde a esquina do djambu
‘té à do continental
trato os passeios por tu
e um parquímetro mais cómodo
é meu guru pessoal
Encostado e repimpão
olho a ladeira plana
subindo a partir do chão
de cada ponto opção
dos extremos da semana
Conto os passos de quem passa
passeando as dores passivas
passa uma velha uva passa
uma manga femeaça
um ceguinho sem mordaça
um vendedor de caraças
e olhodoins de ameaça
miram rebanhos de chivas.
Mil uvas de várias cores
vão irmãs do mesmo cacho.
Do branco ao tinto é um ror
de perfumes. Preto é cor
negro é raça dum diacho!
Avé, vida da ré pública!
cruza ao gosto do gatilho
numa cruz que não explica
onde é que a cruz simplifica
a trajectória do milho
tudo vai melhor amigo
com coca cola e quejandos
espetam a palha no umbigo
e iniciem o mim migo
ciclo de dor e castigo
pescadinha ao gosto antigo
memimigo memimigo
entoladinhos e bambos
vou aos saldos do jònór
comprar mais antipatia
e uma quinhebta de dor
no muro sotomaior
a ajudar a rebeldia
faço mira pela estrela
dum super branco mercedes
e enquadro a ramela
do cego de sentinela
a uma vitrine de sedas
que capulana bonita
traz a mitó amaral
veio, juro, da botica
mais chicqueira, mais bonita
mais xi... cara patrão! (chita
de pele humana e mortal)
raios pátriam esta tonta
partida dos deuses. Haja
um fim para esta ronda
de paisanos songa monga
com apetites de gaja
... do continental ao djambu
- meu privado festival –
trato os passeios por tu
e um parquímetro guru
é minha espinha dorsal...
[101]
quarta-feira, março 24, 2004
quarta-feira, novembro 05, 2003
Grabato Dias
AS QVYBYRYCAS
(canto nove - fragmento)
DCCCXCV
Anda o homem por fora do milhor
que dentro tem, e muito se consume
sem lograr conhecer o peixe amor
que o navega solene. Ó cardume
nos fundos do inaudito refrescor
gerador do sagrado e vivo lume...
O homem se ignora, e nós, como homes
não sabemos o quê das nossas fomes.
DCCCXCVI
Se cégos buscássemos na treva
a luz que competia... se a candeia
interior ao tutano e a toda a seiva
acendesse por mágica ideia...
se, já que cégos, de bordão e greva
juntos abandonássemos a aldeia
deste quieto nada... por juntados
veríamos menores nossos cuidados.
DCCCXCVII
Assim que outro sentido tem a vida
senão ser esperar morte todo o tempo?
Sempre a vida se adia, por comprida
e por pensarmos que amanhã é tempo
de preparar farnel para a partida.
(...)
[32]
AS QVYBYRYCAS
(canto nove - fragmento)
DCCCXCV
Anda o homem por fora do milhor
que dentro tem, e muito se consume
sem lograr conhecer o peixe amor
que o navega solene. Ó cardume
nos fundos do inaudito refrescor
gerador do sagrado e vivo lume...
O homem se ignora, e nós, como homes
não sabemos o quê das nossas fomes.
DCCCXCVI
Se cégos buscássemos na treva
a luz que competia... se a candeia
interior ao tutano e a toda a seiva
acendesse por mágica ideia...
se, já que cégos, de bordão e greva
juntos abandonássemos a aldeia
deste quieto nada... por juntados
veríamos menores nossos cuidados.
DCCCXCVII
Assim que outro sentido tem a vida
senão ser esperar morte todo o tempo?
Sempre a vida se adia, por comprida
e por pensarmos que amanhã é tempo
de preparar farnel para a partida.
(...)
[32]
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