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domingo, novembro 11, 2007

Armando Artur

(AO RUI NOGAR)

Escrevo-te, melancólico,
estas palavras reverberadas
nas folhas das palmeiras.
A tua ausência ganha,
em mim, a forma dum poema
subitamente inacabado.
O nojo e o frio do teu silêncio
apaga a lógica poética
em que me fundo.
A bordo do teu nome vazio
escrevo-te estes versos
com a azul absurdo deste dia.


[288]

domingo, outubro 14, 2007

Armando Artur

INFÂNCIA

Sempre o mesmo desejo
de voltar às praias
da infância:
argúcia dos dedos na areia
alegria dos olhos na espuma…

mas como voltar aos trilhos
apagados?
e como voltar às fontes
incendiadas?

(ao invés deste desejo
eis-me espiando o futuro
que nunca vivo!)


[283]

domingo, setembro 30, 2007

Armando Artur

URGÊNCIA

Eu sou das noites
mais negras…
não sei dizer «sim»
quando quero dizer «não».
porque é longa, deveras,
esta contenda
que é necessário vencer.

eu sou das galerias
mais profundas…
não sei dizer «amanhã»
quando quero dizer «hoje».
porque sou todo urgência
urgência de chegar
urgência de partir.

eu sou dos rios
mais longínquos…
não sei percorrer
o inverso dos caminhos
porque o tempo é-me escasso
nesta caminhada sem apeadeiros.


[282]