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quinta-feira, outubro 09, 2008

Guita Jr.

NO CONFRADE RANGER DE DENTES

vagueio pelas predilecções mais próximas
ocorre-me neptuno e não transito
para além do simples significante
assim sendo mais próximo estou de saturno
mesmo sem acesso a todos os seus deuses
como os meninos do Gilé

antes de se abrir o sol pela manhã
mergulho incólume na brisa matutina
e torna-se-me dever saborear a comédia da morte
e nas garras negras de cada flagrante devo
desmentir a dor por turnos e constante
a todos os meninos do Gilé

o conformismo ou a dignidade violentada
anulam as provas que seriam para depois
e sem tumulto três de cada um de nós
vão em serapilheira desnudos a enterrar
sem nada que se ore nem canções nativas
pelos meninos do Gilé

agora sem credo zomola patarão
extingue-me também esta pele e ossos
a mente não permite que me dissolva no espaço
o tempo apagará o remorso teu c’uma salva
de palmas e kanimambos muitos – não
dos também teus anónimos meninos do Gilé


[315]

terça-feira, julho 29, 2008

Guita Jr.

MÃOS SOBRE O FARRAPO

mas vamos reconstruindo o país aos impostos
uns menos puros outros mais ilícitos
outros antes porém aos encontrões com mulalas
a verterem-nos da carne o hematozoário
mais emergente que o donativo mais escasso

fazemos sauna nós mesmos sem idades
em busca da purpúrea metamorfose legal
mas é verdade que há ainda motobombas
comprometidas com o dever de necessitar
é verdade
e discursam-se mais dogmas e mitos
as alturas e a vontade submissa

agora estou a pedir cinquenta
para perpetuar o farrapo e a esmola
e para evitar falar de bares e copos
vai uma coroa de flores para os heróis
sempre nos satisfaz mais uma gorgeta
para desarraigar as vontades abdominais


[313]

domingo, março 05, 2006

Guita Jr.

DEIXAR TUDO E PARTIR

deixar tudo e partir

e
sem rota nem bússola
sem mapa nem nada
sem álibi nem compaixão rasgar o vento
como se rasga o lábio
na sofreguidão so último minuto de partir

e
em cada relâmpago na noite incendiado
ter o caminho talvez para o norte
quem sabe para a morte


[203]