Glória de Santana
EPITÁFIO
Eu um dia serei uma poalha de vento
pousando inadvertidamente em tua face
e me sacudirás
Eu um dia serei uma réstea de chuva
caída por acaso em tua fronte
e me sacudirás
E eu um dia serei a última lembrança
imponderável já na tua mente
e então me esquecerás
[318]
Mostrar mensagens com a etiqueta gloria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gloria. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, junho 03, 2009
segunda-feira, março 20, 2006
Glória de Santana
POR ONDE A ESPERANÇA
Para o Eugénio Lisboa
que disse o primeiro verso do poema
Eu quero uma estátua virada ao mar
uma estátua que se encha de sal
quando o vento caminhe.
E que tome o tom verde das águas
e das algas que se lhe enrodilhem
junto às mãos e à face
Porque a única forma de ter uma estátua
é saber de antemão que ninguém
saberá quem ali se desfaz.
[205]
POR ONDE A ESPERANÇA
Para o Eugénio Lisboa
que disse o primeiro verso do poema
Eu quero uma estátua virada ao mar
uma estátua que se encha de sal
quando o vento caminhe.
E que tome o tom verde das águas
e das algas que se lhe enrodilhem
junto às mãos e à face
Porque a única forma de ter uma estátua
é saber de antemão que ninguém
saberá quem ali se desfaz.
[205]
sexta-feira, dezembro 16, 2005
sábado, fevereiro 19, 2005
Glória de Santana
BAIRRO NEGRO
As pequenas casas maticadas
erguem-se de longe (de séculos, de antigas datas)
contra o mar e as ondas e as algas.
Como remotas conchas embaciadas
caídas de uma súbita maré alta (lúcida e predestinada)
entre o areal e as ondulantes palmas.
As pequenas casas cúbicas e caladas
onde os problemas são primários e as janelas fechadas
e os tectos de macúti...
(Quem sofre dentro das rústicas portas não aplainadas?
Ou se encosta chorando às trémulas arestas
projectadas entre ângulos de acaso?
Que mar indeterminado e abstracto
se reflecte num olhar ou num gesto marcado
por um ignoto hábito?)
[134]
BAIRRO NEGRO
As pequenas casas maticadas
erguem-se de longe (de séculos, de antigas datas)
contra o mar e as ondas e as algas.
Como remotas conchas embaciadas
caídas de uma súbita maré alta (lúcida e predestinada)
entre o areal e as ondulantes palmas.
As pequenas casas cúbicas e caladas
onde os problemas são primários e as janelas fechadas
e os tectos de macúti...
(Quem sofre dentro das rústicas portas não aplainadas?
Ou se encosta chorando às trémulas arestas
projectadas entre ângulos de acaso?
Que mar indeterminado e abstracto
se reflecte num olhar ou num gesto marcado
por um ignoto hábito?)
[134]
quarta-feira, outubro 01, 2003
Glória de Santana
DIA AFRICANO
Os corvos marcam
trajectórias largas pelo dia branco,
por sobre a cabeça
dos negros cantando.
Há vento disperso,
rasgando nas folhas das árvores altas,
melodias lentas
de antigas desgraças.
E restos de luz
de um sol sugerido por neves quietas,
caem dos telhados
e batem nas pedras.
Tudo hoje é denso
como uma gravura de atitude rítmica,
pousada nos vidros
cortada da Bíblia.
[25]
DIA AFRICANO
Os corvos marcam
trajectórias largas pelo dia branco,
por sobre a cabeça
dos negros cantando.
Há vento disperso,
rasgando nas folhas das árvores altas,
melodias lentas
de antigas desgraças.
E restos de luz
de um sol sugerido por neves quietas,
caem dos telhados
e batem nas pedras.
Tudo hoje é denso
como uma gravura de atitude rítmica,
pousada nos vidros
cortada da Bíblia.
[25]
Subscrever:
Mensagens (Atom)