domingo, março 25, 2007

Luís Bernardo Honwana

ROSITA, ATÉ MORRER


Chiguidela, 17 de Abril de 1961

Manuel do meu coração:

Antão como está? Eu está boa brigado com minha mãe que manda os cumprimento, está com doença das costa dela que dói de noite com os sufrimento de idade vançado. Tua filha também manda os cumprimento, está brincar, está crenscer, está pruguntar todos dia onde está papá, onde está papá, depois chora, não quer brincar. Um dia ela é grande mas não vai no escole, pai dela não liga, não screveu nome dela no dimistração, mês Deus que sabe. Sorita com Matilida com as outra manda os cumprimento também, elas está boa obrigado. Elas faz pôco, eu sabe é assim quando mulher tem disgraça, sai uma filha e homam não faz lobolo. Eu não diz nada, Deus que sabe. Eu encontrou Mamana Rita no bazara, ela veio por causa os curandeiro está tratar ela, ela diz mulher que vocé fugiste com ela largou vocé, um infirmero drabou ela, agora tu está sofrer, não trabalha, não come nem nada, não tem ninguém. Eu não esquence: tu drabou, dromiu com mi, eu era menina, vocé encontraste, deixou eu com prenha, fugiste com outra mulher. Eu não esquence mas eu já nem zanga nem nada, minha mãe diz é assim, os homem é maluco. Eu não foi no escole, não tem o estude nem nada, escrever meu nome foi vocé que ensinaste. Só sabe fazer machamba, fazer comida para vocé, lavar teu ropa, gostar vocé. Tratar tua filha também. Mulher çimilado quema os cabelo, veste çapato com vestida bonita, com português que fala tu não guenta drabar ela. Ela que draba vocé. Deixa vocé chorar: O minha mãe, eu mata-lhe, eu mata-lhe! Eu diz: não mata-lhe. Vocé drabaste a mi ela drabou você: você que começaste. Aqui em casa cabrito não pariu cinco nem pariu um com dois cabeça. Não tem fiticero. Nem inveja as pessoa tem com mi não faz nada. Veio chuva. Eu fez machamba grande de mulho com fijão com mandoinha, com mapila. Chegou um dia eu acordou contente, vendeu uma saca mandoinha, comprou vestida bonita com taralatana com çapato incarnado com chapéu para tua filha! Ermelinda que é nome dela mas eu costumou chamar ela Linda, às vezes Nyeleti, tu gosta? Quando tu quer tu vem escançar, só escançar, conhecer tua filha comer os ovo com galinha, com cabrito quando vocé guenta, beber ucanhi nas família da terra, tomar banho no rio, dançar xingombela no casa de N’Dlamini, mais nada. Quer? Vocé vai pruguntar as pessoa que anda aqui a falar assim: O! Manuel tem esta nossa pele mas agora é branco, comprou ser branco nos papel, esquenceu os vovô dele que morreu, esquenceu filha dele que nasceu, esquenceu terra, esquenceu tudo. Eu diz é mentira, Manuel não pode esquencer. As pessoa ri, as pessoa diz eu não sabe, as pessoa diz cada vez eu é polícia também. Vocé é? O, vem dizer mesmo! Depois vocé vai tembora quando não gosta ficar aqui fazer machamba, ensinar as pessoa no escole de noite que voces tinha na casa de Mussá. Vocé vai, eu não vai agarar vocé, só vai chorar mesmo. Quando vocé vai eu dá vocé saca mandoinha que vocé guenta levar no machibomba, pode ser 4, fica muito ainda, eu é pobre mas tem mãos bom para trabalhar também para dar. Vocé vais vender os saca, comer dinheiro sòzinho. Quando vocé quer vir vocé escreve carta, dá chofer de machibomba de Olivera para entregar no cantina do Mohano. Vocé diz eu vai chegar dia assim assim. Eu manda carroça com os meudo esperar vocé. Minha boca não gosta falar cosa que meu coração está dizer, mas minha cabela fica maluco quando minha boca não diz: eu gosta muito vocé. As vez eu pensa vocé foste nos curandero ranjar remeido para eu gostar vocé. Tu faz eu sofrer, eu chora, eu zanga, eu esquence, eu gosta vocé outra vez muito! Tu que não presta: tu gosta mulher çimilado que draba vocé. Sou eu Rosa de teu coraçãoque manda esta carta para teu coração. Chico Mandlate está escrever carta também manda os cumprimento. Chico não vai dizer ninguém coisa que escreveu para vocé.

Rosita,

Até morrer.


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